[Uma História por Diamantino, aka 2Cotas]

Uma das recordações que me ficaram do meu primeiro casamento foi uma colecção razoável de porta-chaves. Não faço a mínima ideia de onde vieram, nem quem ou porquê foram coleccionados, mas acabaram espalhados, literalmente, por umas dezenas de caches. Nem sequer o pobre do familiar que resolveu fazer publicidade por esse meio escapou à voragem. Ficou com uma mão cheia espalhada por esse Portugal em três tempos. Foram os velhos tempos dos “porta-chaves vindos directamente da Tailândia”.

Nessa altura conheciam-se os anteriores visitantes pelas prendas que se encontravam. Já não falo dos artistas dos preservativos, ou dos bilhetes de metro, falo mesma das prendas boas. Ganhei um conjunto de copos de café, uns CFCard, uns chips de memória, um canivete, um rato e até um processador. Que me lembre…

Numas férias em Espanha coleccionei uma grande mão cheia de isqueiros. Por cá também os havia e faziam um jeitão, realmente até nem me importei nada do coro de protestos. Diligentemente fui-os retirando quando os encontrava, mas as reclamações acabaram-me com o fornecimento.

Por essa altura começou a ser complicado abrir as caixas por ai, era frequente saírem de lá uns papeluchos que acabavam a esvoaçar irremediavelmente levados pelo vento. Eram normalmente dois, de um casal:

Elektra

Penso que a piquena fosse mais colecionável que o moço, eu pelo menos não perderia tanto tempo nem despenderia tanto esforço a resgatá-lo… Também era mais feio.

Glorfindel

Por essa altura tinha um grupo de miúdos que me acompanhavam irregularmente, dai ter inventado uns papeluchos tipo totobola, com os nomes de todos, punha cruzes nos nomes do que estavam presentes… Fartei-me depressa mas acho que ainda para lá tenho uns exemplares. Pelo que sei ainda haverá alguns espalhados pelas cercanias de Sintra.

Folha-2cotas

Por essa altura apareceram os primeiros autocolantes. Foi assim tipo moda. Depois apareceram os tipos com carimbos. Tudo gente com grande sentido de originalidade. Por vezes pergunto-me o que é feito dessas ferramentas. Provavelmente repousam no mesmo lugar onde repousam os GPS com as pilhas babadas.

Mas voltando aos objectos coleccionáveis, um colega provavelmente porque se aborreceu de partir amêndoas das de casca dura que lhe sobraram de alguma viagem aos Algarves, lembrou-se de as pintar e espalhar. Ainda deve ter espalhado uns quilos antes que lhe tenha passado a mania. Essas nunca guardei, não tenho por hábito fazer acompanhar o GPS com um alicate de amêndoas e não dava mesmo para as partir com os dentes. Agora o que fez furor foi umas molitas de roupa tamanho mirim, laboriosamente escritas de um lado e de outro. A minha Maria rapinou umas tantas pelo que, atendendo que nunca fui um grande caçador, devem ter sido espalhadas umas quantas. Simpáticas estas. Algumas ainda servem diligentemente de fechos nas embalagens de especiarias.

Fonsecada

Pins foram uma das coisas que mais gostei de encontrar. Lamentavelmente eu e mais umas dúzias de concorrentes. Ainda espalhei uma mão cheia deles, mas depressa me apercebi que não tinha sorte nenhuma com as trocas. Desisti e comecei a pensar que podia fazer umas moedas personalizadas. Nessa altura tinha estalado a febre das Coins e ferviam os primeiros exemplares.

No sítio onde trabalhava na altura havia o costume de oferecer pins em circunstâncias correntes pelo que tive algumas mão cheias deles disponíveis. Lembrei-me de eliminar o espeto anterior e colar nelas uma moeda. Queria com isto personalizar um “pin” com um assinatura presente na moeda de 2Cts, transformando-a em 2 C(otas) o nick que utilizo.

2Cotas

A frente oscilou entre um eléctrico:

2Cotas.Electrico

Uma Ancora, símbolo do porto de Lisboa:

2Cotas.DYAOTHOL

E o símbolo do Turismo de Lisboa:

2Cotas.TLx

Entre as três versões espalhei umas centenas em Portugal, Espanha e GB. Engraçado recordar que tive alguns contactos de colegas a perguntar-me o que era aquilo e para que servia, já que não tinha código ou registo. Provavelmente a maioria acabou junto do GPS babado, no fundo de uma gaveta ou nas tralhas de alguma criança.

Penso que esta ideia, de personalizar de forma regular qualquer coisa de diferente, provavelmente com o fenómeno das coins e a evolução que sofreram, levou a que fossem desenvolvidas estas novas formas de assinatura. Não deixa de ser uma outra negociata. Confesso que achava mais interessante a personalização de objectos, mas também achava mais elegantes os primeiros tempos do geocaching e isso não foi nada que não me passasse.

Provavelmente vai manter-se activa a discussão, se é que chegou mesmo a haver discussão, sobre o que foram realmente os primeiros colectables. Mas atendendo a que os primeiros foram formas originais e simples de deixar prendas, actualmente a coisa afastou-se desse objectivo. Isto de gastar somas relativamente importantes para largar numa cache um sinal personalizado não me seduz. Assim como aceito que quem o faça, escolhendo criteriosamente as caches onde os deixar, ou então estabeleça formas de coleccionar esses marcadores para que não fiquem perdidos quase irremediavelmente por uma cache qualquer. O que, em meu entender acaba mais ou menos no mesmo; não se devem deixar “algumas” coisas em caches.

Cá por mim ainda tenho umas dezenas disponíveis e conto deixa-las por ai nas próximas caçadas. Quando acabarem estas logo arranjarei outras. Entretanto podem pedir ou licitar…

Se está toda a gente de acordo se são ou não “trackables” é pouco importante, apenas é importante que se mantenham registos e que as historietas fiquem preservadas para que não venham a dizer que “caíram do céu”.

Divirtam-se.